O passado e o futuro não estão tão distantes…
eles estão conectados por uma linha tênue
chamada presente.
Na’breu
Sejam todos muitíssimo bem-vindos!!! A finalidade deste blog é, através da produção literária, expor minha "íntima mente". Estejam à vontade para apreciação e comentários. Em caso de reprodução, solicito o cuidado em citar o nome da autora. Obrigada!
O passado e o futuro não estão tão distantes…
eles estão conectados por uma linha tênue
chamada presente.
Na’breu
Se pensar que
de pousar em pousar
a gente vai e não volta
ao mesmo lugar,
me despediria de quem fui ontem
para saudar quem amanheci hoje!
Natália Abreu
Certa vez olhando pro rio, pensei:
quero ser rio.
Se pudesse escolher, queria ser rio.
Ora manso, ora agitado,
ora turvo, ora límpido…
me parece de uma liberdade sem precedentes.
Já observou um rio?
Então me aproximando mais dessa fortaleza
eu vejo que ser rio não é “só” sobre ser livre.
Quando vi as pedras compondo seu curso,
desde as profundezas à superfície,
quase desisto de sê-lo.
Quase.
Fosse eu, ali, batendo de pedra em pedra,
sobraria nada de mim!
Só gemidos de dor e estalos de costelas quebradas…
ainda bem que rio é rio.
Porque as pedras não arredam o pé!
Mas, rio sendo rio, dá um jeito de chegar ao mar.
Bailando como se pedras não existissem lá,
não perde o curso,
não perde a força,
não se perde no caminho.
Prefiro mesmo é ser gente que se inspira no rio.
Ousadia a minha…
Me sirvo dos barcos que,
tão ousados quanto eu,
se entregam às águas.
Contornamos as pedras.
Desembocamos no mar.
O rio, o barco e eu.
As pedras ficaram lá.
Natália Abreu
Eu preciso dizer a você
Das incríveis maneiras de existir
Que nenhuma aspereza de vida
Substituirá a beleza do sentir
É que a vida, sabida,
se encarrega
Ora de expor, ora sucumbir
Mas existe um menino
Para quem, se houvesse jeito,
Eu queria chamar no estreito
E lhe dizer ao pé do ouvido,
Como quem dá conselho
Ou oferta, ligeiro,
um ombro amigo
Eu queria dizer
Que teria, genuinamente,
acolhimento,
Praquele menino
Que se viu imperfeito
E como doeria ser diferente
Tal qual um punhal
Rasgando-lhe o peito
Queria que ele soubesse
Que o outro não lhe definiria
Que sua história não lhe limitaria
E que não teria lugar no mundo
Onde não lhe caberia
Menino,
Eu queria te dizer tanto
Eu queria…
Mas você já sabe!
Saberá…
ou já sabia?
Que o céu inteiro é o limite
Mesmo que só você acredite
Que toda luta travada
Já era trecho
Compondo estrada
Sim! Você já sabia!
Que mesmo que fosse sofrido
O sonho,
No coração do menino
Encontraria meio de ser vivido
Voa, menino!
Que a vida tem pressa de acontecer
Que os trechos rumados
não se dão à toa
Tem sons que só a gente escuta
Ecoa…
Portanto, não tenha medo,
Menino, voa!
Natália Abreu
Ser louco e livre
Tem me exigido resistência
Posso dizer até que, paciência
Para dizer o óbvio com transparência
E tentar elevar à consciência
Que quando se fala em saúde mental
Há que se ter um ponto central:
É na liberdade
Que faz morada a essência,
Aquilo que agrega decência
Portanto, deixo aqui meu apelo
Que traduz certo desespero
Entre os muros,
Não alimente essa crença
Ela é descabida, sem evidência
É na liberdade que se tem vida plena
Natália Abreu
A minha loucura não está à venda
E a minha fala, não mais se cala
Se tem uma coisa certa nessa caminhada
Devo dizer, meu camarada
Que de onde venho, não pego estrada
Minha liberdade custou muito cara.
Natália Abreu