domingo, 21 de julho de 2024

Sobre mudanças



Se pensar que

de pousar em pousar 

a gente vai e não volta 

ao mesmo lugar,

me despediria de quem fui ontem 

para saudar quem amanheci hoje!



Natália Abreu

O rio, o barco e eu

Certa vez olhando pro rio, pensei: 

quero ser rio. 

Se pudesse escolher, queria ser rio. 

Ora manso, ora agitado,

ora turvo, ora límpido… 

me parece de uma liberdade sem precedentes.

Já observou um rio? 

Então me aproximando mais dessa fortaleza 

eu vejo que ser rio não é “só” sobre ser livre. 

Quando vi as pedras compondo seu curso, 

desde as profundezas à superfície, 

quase desisto de sê-lo. 

Quase.

Fosse eu, ali, batendo de pedra em pedra, 

sobraria nada de mim!

Só gemidos de dor e estalos de costelas quebradas… 

ainda bem que rio é rio. 

Porque as pedras não arredam o pé!

Mas, rio sendo rio, dá um jeito de chegar ao mar. 

Bailando como se pedras não existissem lá, 

não perde o curso, 

não perde a força, 

não se perde no caminho. 

Prefiro mesmo é ser gente que se inspira no rio. 

Ousadia a minha… 

Me sirvo dos barcos que,

tão ousados quanto eu, 

se entregam às águas. 


Contornamos as pedras. 

Desembocamos no mar. 

O rio, o barco e eu.


As pedras ficaram lá.


Natália Abreu


Pronto para voar

Eu preciso dizer a você 

Das incríveis maneiras de existir

Que nenhuma aspereza de vida

Substituirá a beleza do sentir


É que a vida, sabida, 

se encarrega 

Ora de expor, ora sucumbir 


Mas existe um menino 

Para quem, se houvesse jeito,

Eu queria chamar no estreito 

E lhe dizer ao pé do ouvido,

Como quem dá conselho

Ou oferta, ligeiro,

um ombro amigo


Eu queria dizer

Que teria, genuinamente,

acolhimento,

Praquele menino 

Que se viu imperfeito 

E como doeria ser diferente 

Tal qual um punhal 

Rasgando-lhe o peito 


Queria que ele soubesse 

Que o outro não lhe definiria

Que sua história não lhe limitaria 

E que não teria lugar no mundo 

Onde não lhe caberia 


Menino, 

Eu queria te dizer tanto

Eu queria… 

Mas você já sabe!

Saberá… 

ou já sabia?


Que o céu inteiro é o limite 

Mesmo que só você acredite

Que toda luta travada

Já era trecho 

Compondo estrada


Sim! Você já sabia!

Que mesmo que fosse sofrido

O sonho, 

No coração do menino

Encontraria meio de ser vivido


Voa, menino!

Que a vida tem pressa de acontecer

Que os trechos rumados 

não se dão à toa

Tem sons que só a gente escuta

Ecoa…

Portanto, não tenha medo, 

Menino, voa!


Natália Abreu


Louco e livre

Ser louco e livre

Tem me exigido resistência


Posso dizer até que, paciência


Para dizer o óbvio com transparência


E tentar elevar à consciência


Que quando se fala em saúde mental


Há que se ter um ponto central:


É na liberdade 


Que faz morada a essência,


Aquilo que agrega decência


Portanto, deixo aqui meu apelo


Que traduz certo desespero


Entre os muros,


Não alimente essa crença


Ela é descabida, sem evidência



É na liberdade que se tem vida plena




Natália Abreu


Minha loucura

 A minha loucura não está à venda

E a minha fala, não mais se cala


Se tem uma coisa certa nessa caminhada


Devo dizer, meu camarada


Que de onde venho, não pego estrada


Minha liberdade custou muito cara.




Natália Abreu


quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Senso comum ou senso crítico?



Quisera o pequeno pensador, logo ele, que sabia tão pouco, viver sob o véu da ignorância ou da ingenuidade, se assim preferir chamar a condição de não "saber sobre". Imaginava os grandes sábios, olhando a pequenice do "resto"... talvez lamentando os rumos tomados, talvez não. Talvez apenas contemplando em silêncio... talvez chorando por uma sensação de impotência. Talvez sorrindo de nervoso. Talvez sorrindo de verdade. Mordendo os lábios ao não ser compreendido. Sentindo até uma certa raiva. Arrependido por saber demais, quando poderia estar sob o véu da ingenuidade. 

Um ser de senso comum. Feliz.

Pobre pequeno pensador...



N'abreu

Culpas e desculpas




Passe a assumir determinadas culpas. 

Sim!

Você é protagonista! 

A culpa não é de tudo ruim. 

No instante em que você se admite culpado, você proporciona mudanças necessárias em si.

Aliás, as únicas mudanças pelas quais você é verdadeiramente responsável.


Na'breu