domingo, 21 de julho de 2024

Pronto para voar

Eu preciso dizer a você 

Das incríveis maneiras de existir

Que nenhuma aspereza de vida

Substituirá a beleza do sentir


É que a vida, sabida, 

se encarrega 

Ora de expor, ora sucumbir 


Mas existe um menino 

Para quem, se houvesse jeito,

Eu queria chamar no estreito 

E lhe dizer ao pé do ouvido,

Como quem dá conselho

Ou oferta, ligeiro,

um ombro amigo


Eu queria dizer

Que teria, genuinamente,

acolhimento,

Praquele menino 

Que se viu imperfeito 

E como doeria ser diferente 

Tal qual um punhal 

Rasgando-lhe o peito 


Queria que ele soubesse 

Que o outro não lhe definiria

Que sua história não lhe limitaria 

E que não teria lugar no mundo 

Onde não lhe caberia 


Menino, 

Eu queria te dizer tanto

Eu queria… 

Mas você já sabe!

Saberá… 

ou já sabia?


Que o céu inteiro é o limite 

Mesmo que só você acredite

Que toda luta travada

Já era trecho 

Compondo estrada


Sim! Você já sabia!

Que mesmo que fosse sofrido

O sonho, 

No coração do menino

Encontraria meio de ser vivido


Voa, menino!

Que a vida tem pressa de acontecer

Que os trechos rumados 

não se dão à toa

Tem sons que só a gente escuta

Ecoa…

Portanto, não tenha medo, 

Menino, voa!


Natália Abreu


Louco e livre

Ser louco e livre

Tem me exigido resistência


Posso dizer até que, paciência


Para dizer o óbvio com transparência


E tentar elevar à consciência


Que quando se fala em saúde mental


Há que se ter um ponto central:


É na liberdade 


Que faz morada a essência,


Aquilo que agrega decência


Portanto, deixo aqui meu apelo


Que traduz certo desespero


Entre os muros,


Não alimente essa crença


Ela é descabida, sem evidência



É na liberdade que se tem vida plena




Natália Abreu


Minha loucura

 A minha loucura não está à venda

E a minha fala, não mais se cala


Se tem uma coisa certa nessa caminhada


Devo dizer, meu camarada


Que de onde venho, não pego estrada


Minha liberdade custou muito cara.




Natália Abreu


quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Senso comum ou senso crítico?



Quisera o pequeno pensador, logo ele, que sabia tão pouco, viver sob o véu da ignorância ou da ingenuidade, se assim preferir chamar a condição de não "saber sobre". Imaginava os grandes sábios, olhando a pequenice do "resto"... talvez lamentando os rumos tomados, talvez não. Talvez apenas contemplando em silêncio... talvez chorando por uma sensação de impotência. Talvez sorrindo de nervoso. Talvez sorrindo de verdade. Mordendo os lábios ao não ser compreendido. Sentindo até uma certa raiva. Arrependido por saber demais, quando poderia estar sob o véu da ingenuidade. 

Um ser de senso comum. Feliz.

Pobre pequeno pensador...



N'abreu

Culpas e desculpas




Passe a assumir determinadas culpas. 

Sim!

Você é protagonista! 

A culpa não é de tudo ruim. 

No instante em que você se admite culpado, você proporciona mudanças necessárias em si.

Aliás, as únicas mudanças pelas quais você é verdadeiramente responsável.


Na'breu

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

O que nos move





Cai uma folha

Seja vento breve ou furacão

A folha no chão

Move uma pedra

Por toque ou empurrão

A pedra no chão

Deita-se em descanso

Lenta ou bruscamente

E cumpre seu papel

Encosta teu corpo

Na superfície

Fria ou quente

Põe-te a descansar

Fecha teus olhos

Pensa na folha

Na pedra

Tudo se move

Por ação ou reação

Tudo vai

Tudo sai

Tudo segue

Repouse sua mente

Tu não és inerte

Nem é folha, nem pedra

É corpo que deita

E é corpo que levanta

Aonde andam os teus desejos

Apegos dessa vida

O que aquece seu coração

Acaricia sua alma

São esses, os ventos que nos move...



Natália Abreu

Cotidianamente






A felicidade mora no detalhe. 
Não! Não é clichê! 
É tão simples que parece clichê. 
É uma verdade! 
Mas verdades e coisas óbvias, por vezes, de tão óbvias, simplesmente passam sem ter a devida atenção. 
É assim, como uma peça inteira que foi feita de retalhos miúdos... e a gente vai tecendo esses detalhes, esses momentos... construindo aquilo que, algum dia, acreditamos que viria pronto. 
Uma ingenuidade, que não nos decepciona ao cair do véu, mas nos abre uma janela de possibilidades e fortaleza!

 


Não tenhamos medo!



Natália Abreu